segunda-feira, 7 de março de 2011

Voejar

Voejar


Uma aragem quente
ondula o silêncio
da tarde
Com dedos leves
o vento voeja
uma sementeira
prenhe de palavras
Chove
Quando amanhece
os versos nascem
de mãos dadas
com o sol 
Abundantes enchem
o cerúleo dia com poesia


Valentina Diadory
07/03/2011
21:05 h

Inquilino

Inquilino


Tu consertas o pêndulo 
lento do tempo
Fias a gota do dia
Teces o caminho
mais claro da noite
Destelhas o teto
e a flor do meu corpo 
habita-me
...Como quem não tem
para onde ir


Valentina Diadory
07/03/2011
20:49 h

domingo, 6 de março de 2011

Mosto

Mosto

A saliva arde
apura a seiva
O céu da boca
em brasa
ofega o mosto
bebe do beijo

Valentina Diadory
06/03/2011
21:20 h

sábado, 5 de março de 2011

Pudica

Pudica


Olhar casto
Um candeeiro de candura
aceso na tez de veludo


Seios redondos
Duas pétalas intumescidas
auréolas rosadas
sombreiam a alvura
do entremeio de renda
na pele dourada de trigo


Pernas cruzadas
Joelhos macios
Carícias
desprendem segredos
...Um mar de estio
Um botão do sol
ardendo em solfejos


Valentina Diadory
05/03/2011
21:05 h

Ode ao silêncio

Ode ao silêncio


Ouço tuas mãos
compondo na fímbria
do silêncio
Ouço-as
fiando a macieza
com que tu
debruas meu corpo
eriça pêlos
desprende poros


Valentina Diadory
05/03/2011
20:24 h

quinta-feira, 3 de março de 2011

Mulher

Mulher


Na curva do sorriso
um céu matizado
de volúpias
No olhar afoito
um mar aberto
enfebrecido de segredos


Valentina Diadory
03/03/2011
21:50 h

quarta-feira, 2 de março de 2011

Outonece

Outonece


As folhas uma a uma
caem pelo chão
Desbotadas se movem
com o vento
Uma lasca
fria de silêncio sorve
os gomos do dia


Valentina Diadory
02/03/2011
21:40 h

terça-feira, 1 de março de 2011

Bordadeira

Bordadeira


...Passa horas
no quarto de costura
bulindo no cesto de letras...
Em silêncio
alinhava sílabas
costura versos
borda palavras


Valentina Diadory
01/03/2011
21:20 h

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sensual

Sensual


Uma fome de mil bocas
permeia o verso
cora o poema


Valentina Diadory
28/02/2011
21:20 h

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Contra o tempo

Contra o tempo


Inquieta corro os olhos
pelas paredes
Afobada gasto passos
derramo a água do pote
tropeço
levanto...


Colho flores
guardo no embornal
amarro
Colo cacos
faço um mosaico
Cato os espinhos
jogo fora...


Sobrevivo
sempre de olho
no relógio
roendo a casca
grossa do tempo


...Tenho vontade
de avançar as horas
Pressa de saber
como será o amanhã
Pressa de viver
pressa de ser mais feliz...


E o amanhã demora...
Parece que nunca vai chegar...


Valentina Diadory
27/02/2011
13:50 h

Insaciável

Insaciável


Dedos andejos
nas sombras
da noite pouca
sobe e desce degraus
Dedilha versos
saliva
fia a fome
tece
debrua sóis
ateia fogo
gozo


Valentina Diadory
26/02/2011
10:10 h

Tanto

Tanto


...Na esquina dos olhos
tanto cisco
Tanto mar
rouco de pranto


Valentina Diadory
25/02/2011
18:20 h

Eterno amor

Eterno amor


Tu me dizes
Na sua vida serei
eterno como o mar
o sol o luar as estrelas o céu...
O mundo todo lá fora
Serei seu eterno amor
...
Miro seus olhos e digo
Na sua vida serei
os minutos poucos
e as horas fartas
Do anoitecer ao romper do dia
serei poesia


Rafael Augusto – Valentina Diadory
25/02/2011
14:30 h

Solfejos

Solfejos


Lume arde
Queima a seda
a pele
...E o tato
onde se cala
ofega solfejos


Valentina Diadory
20/02/2011
09:10 h

Jejum

Jejum


Ainda levo um dia
nessa sequidão
Jejuando no silêncio
escutando meu avesso
urdindo o tecido
espesso das palavras


Valentina Diadory
19/02/2011
15:35 h

Uma história de poesia

Uma história de poesia


O menino me contou
que quando anoitece
o vento sopra devagar
empurra as nuvens
alvas do céu
e a réstia loura de sol
que estava escondida
se espicha e de longe
aparece um pouquinho
As ondas crespas do mar
se acalmam e levam
o barco para a praia
Lambem a areia e o pescador
vai para casa descansar
Até parece ser de dia


...O sono chega
o menino boceja
esfrega os olhinhos miúdos
e se debruça
dentro da poesia...


Valentina Diadory
18/02/2011
19:20 h

Fazer amor

Fazer amor


Explodir fragrâncias
Na porosidade da pele
exalar aromas...
O amor verdadeiro
impregnando o ar
com a seiva extraída
da essência da alma


Rafael Augusto – Valentina Diadory
18/02/2011
20:15

Pelo avesso

Pelo avesso


Esperou tanto
Lá pelas tantas
já pelo avesso
teve um dedo de prosa
com o silêncio
Mirou-se no espelho
do pó de arroz
Engoliu os soluços
passou batom
ajeitou os cabelos
bateu a poeira
do vestido
sacudiu o olhar
e saiu pisando
nas pedras soltas
que ainda ruíam
por dentro


Valentina Diadory
17/02/2011
21:25 h

Careço

Careço


Descalça
desço as escadas
de mim...
Tudo tão escuro
Às cegas tateio o chão
forrado de páginas
amassadas
Careço do verbo
Careço de palavras pingando
na ponta do lápis
para bordar na alvura
do linho fiado


Valentina Diadory
16/02/2011
21:40 h

Sombra

Sombra


Abro a porta do dia
Rego o vaso
de amor-perfeito
sobre a mesa
Sento-me na cadeira
cansada do alpendre
e leio-te


Escuta minhas mãos
fitando as páginas
e folheando o avesso
das linhas


Sou sol
Sombra do seu tempo
Do instante derradeiro
ao minuto seguinte
sei teus passos de cor


Valentina Diadory
15/02/2011
21:52

Seiva

Seiva


A cama arde
Descoso-me dos pudores
Recebo-te
Tu te hospedas em mim


...Céu
Sol
Sal
Mar


...A seiva se derrama
irriga


...Cirzo teu corpo no meu
Extasio-me


Valentina Diadory
14/02/2011
23:00

Quem sou?

Quem sou?


Sou o silêncio do lume
se espraiando
na ausência da linguagem


O toque das acácias
perfumando a vadiagem
dos dias


O sono
A noite de sonho turvado
e o sal do mar
que unta o corpo
Os anos que passam
e a criança que pede colo


A voz
O grito das palavras
que dobra e rasga
a mudez da sua interrogativa


Valentina Diadory
14/02/2011
22:50 h

Riscos

Riscos


Na parede caiada
o pêndulo renitente
tomba os minutos
e passa as horas
De soslaio
a palavra míngua
na porosidade das mãos
Da lonjura
o verso carece
das linhas deitadas
que risca
o olhar do poeta


Valentina Diadory
13/02/2011
21:10 h

Verão

Verão


Apalpo o crepitar
das folhas
secas de outono
e côo réstias de sol
na palheta


Colo na fundura do céu


Dura a vida toda
como se fosse
um dia de verão


Valentina Diadory
14/04/10
16:32 h

(A)mar

(A)mar


Ouço a essência
do mar
a marulhar
poemas na areia
...Um respiro
das palavras
arqueja no corpo
... (A)mar


Valentina Diadory
12/02/2011
21:20 h

Girassóis do poeta

Girassóis do poeta


Há um fio
rouco de voz
no pranto que corre
pela sua face
Suas mãos tecem
as palavras
e um campo
de sóis
brilha diáfano
em seu olhar


Valentina Diadory
12/02/2011
20:20 h

Tempo

Tempo


Toco o fio das palavras
Conto os dias nos dedos
Teço em versos
os minutos e as horas


...Arremato nosso amor
no poema
Guardo dentro da alma
e aperto os olhos
para que nada de nós
se extravie


Valentina Diadory
11/02/2011
21:25 h

Um poema pronto

Um poema pronto


Abro a seiva
dos olhos
umedeço a língua
e sangro


Valentina Diadory
26/08/10
13:25 h

Tu

Tu


Você me chegou
luar
numa noite escura
Sol quente
num dia de inverno
Abraço que abriga
da chuva


...E as palavras
não sossegam mais
Nuas em pêlo
correm a pé
Feito borboletas
voam pelo céu
da minha boca
Na ponta da língua
ardem
Rasgam minha alma
e tingem minhas mãos
com poesia


...Tu és
a cantiga de amor
que meu coração canta
todo dia


Valentina Diadory
09/02/2011
22:15 h

Beijo

Beijo


Tua boca
serve-se do pólen
Desmancha o fio
do batom
Amarrota a rosa
borra pétalas
Orvalha meus lábios
draga minha saliva
Afunda no rio
Cio


Valentina Diadory
10/02/2011
22:30 h

Mouca

Mouca


Amanheci
com as mãos caladas
a boca seca
um nó na garganta
e os lábios insossos
Não ouço o farfalhar
dos passos largos
das palavras
beliscando o meu silêncio
Acordei
sem a poesia do dia
Acordei sem você


Valentina Diadory
26/06/10
6:38 h

Transbordando

Trans(bordando)

Abro a janela
e ouço o sol
da tarde
se apartar

A chuva miúda
de longe
logo vai chegar

Logo ali
na casa do poeta
o silêncio beberica
no cântaro
cheio de palavras

E o cantar da poesia
trans(borda) versos
na macieza do papel

Valentina Diadory
25/03/10
7:15 h

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Frágil

Frágil


Por tanto amar
me gastei toda
Bebi tantos goles
de saudade
que desbotei a estação
que me nascia
por dentro
Chorei um oceano
inteiro de poesia
Hoje estou
coração por um fio
Estou frágil
Gasta
Desbotada
Não me acho mais
no cristal do espelho


Valentina Diadory
05/02/10
18:58 h

Sopro

Sopro


Tu me roubas
as tonalidades do tempo
Como o vento norte
sopra palavras no silêncio
e viaja por dentro
dos meus sonhos
Me despe
se espraia no meu corpo
faz-me tua musa
me brota versos


Valentina Diadory
05/02/2011
9:50 h

Crepuscular

Crepuscular


...Olhar guarda
numa concha
um punhado
de sobras do dia
Um espirro branco das ondas
Um naco azul do céu
Um raio dourado do sol
A cantoria das gaivotas...
Tudo alinhavado
a um retalho do mar


Valentina Diadory
05/02/2011
17:45 h

Floração

Floração


Fogachos num novelo
enrolado de carícias
Lenha seca
Fagulha acesa


No mosto da boca
a língua em chamas
rompe o dique
das horas a fio
de fome e de sede


Sol embebe
o sal táctil
Sem sono
pulsa
Dedilha o fogo


Em brasa
rasga as fímbrias
geladas da água
Arde
E as mãos
tocam a floração
rasa do corpo


Lá no fundo
um lato céu
Um poema
Um vulcão


Valentina Diadory
03/02/2011
22:30 h

Amanhã

Amanhã


De mãos vazias
atravessei o labirinto
silencioso do ontem
E hoje
o Mal-me-quer
Bem-me-quer
diluiu-se vagarosamente
em meus dedos
Impaciente espero
o tempo passar
ás margens pálidas
do amanhã
Recolho-me


...Não vou mais esperar
você pintar um pôr de sol
dentro do meu olhar...


Valentina Diadory
21/01/10
18:15 h

Cerejas

Cerejas

Uma taça cheia...
Amálgama suculenta
vermelha e nua
Banhadas em marasquino
o aroma frutado
enche os olhos
matura a sede
À meia luz
Cerejas moldam
a janela do decote
o calor da pele
e cobrem o caminho
aberto para os seios
Desenham a boca
e a polpa macia
bole com a libido...
Nos entremeios
beijos sôfregos
um frêmito
e o calafrio na espinha
espargi o gozo...

Valentina Diadory
01/02/2011
22:45 h

Míope

Míope


As pálpebras
pesam enviesadas
E há um talho míope
sobre o mar aberto
do olhar
Verte uma dor
que escreve um vinco
na face veludosa
sem machucar
Cerra os olhos
apalpa o poema
tenta secar
as palavras esconsas
deitadas sobre o rasgo
inerte de solidão
aberto numa página
escondida da alma


Valentina Diadory
31/01/2011
21:30 h

Fecundação

Fecundação


Poeta atravessa
o silêncio largo do crepúsculo
e morosamente trabalha
a essência da alma
Planta o feto
Embebe-se no húmus farto
da criação
Rega ...
E a seiva espessa
alimenta a raiz do verbo
Em tempo fecundo
amadurece o verso
corta o cordão umbilical
Nas linhas férteis do canteiro
um grito feliz de liberdade
ecoa e pari a poesia


Rafael Augusto – Valentina Diadory
28/01/2011
15:30 h

Tecelã

Tecelã


De véspera
desfaço as dobras
e os fios emaranhadas
nas linhas do destino
Não durmo a vida
Nos rodapés das noites
desato os nós
cozo os nacos gastos
tricoto o cansaço
Pela manhã
colho na face uma réstia de sol
Apanho um verso
no vaso raso de amor-perfeito
e vivo mais um dia


Valentina Diadory
26/05/10
7:18 h

Prefácio

Prefácio


Um nome
Um eco
Um borrão
deixado no deserto
Quiça uma página virada
na fimbria do vento
Um rio miúdo e sem vírgulas
Um verso
Uma exclamação
do outro lado do sol
Quiça uma estrela
um luar pendurado
nas reticências do céu
Uma interrogação
numa linha inventada
Um ponto final
ancorado no mar
Quiça um poema ...


Valentina Diadory
15/08/10
6:45 h

Solfejos

Solfejos


Lume arde
Queima a seda
a pele
...E o tato
onde se cala
ofega solfejos


Valentina Diadory
20/02/2011
09:10 h

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Alva

Alva


No avesso da janela
a brancura
alvíssima da neve
cobre o cume
verde da montanha
Polvilha as ruas e orvalha
a silenciosa manhã
já prenhe de poesia


Valentina Diadory
28/01/2011
9:35 h

Amargo

Amargo


Um limo inundou
a vela do lume
Um breu se acendeu...
Um travo amarga a língua
Uma letargia...
E o lápis roto
inerte
largado no assoalho


Valentina Diadory
14/05/10
7:40 h

Poeta

Poeta


Poeta tem
um retalho de mar
cerzido nos olhos
e um sol poente
ardendo no peito
Dia e noite
saliva palavras sob a língua...
Queima
deságua...


Valentina Diadory
26/01/2011
22:00 h

Paz

Paz


Não sou daqui
venho de longe
Trago no côncavo das mãos
meu mundo caiado
e o esvoaçar
colorido das borboletas


Valentina Diadory
26/01/11
10:11 h

Sede

Sede


Dá-me um gole d’água
para molhar a palavra
que me bebe por dentro
Espreme uma gota
e inunda o verbo enroscado
na minha garganta
Que arde de sede
e me arranha
Afoga
minha língua enfebrecida
e deixa minha boca
cheia de versos


Valentina Diadory
24/01/2011
21:00 h

Sem atalho

Sem atalho


Entre aspas vocifero
Engasgo nas reticências
Resvalo na grafia das letras
Calo
Nada ouço
Do fim ao começo
enxergo a dor sem atalho
doendo por dentro
Atravesso a página insone
e as borboletas
alheias a tudo dançam ao vento


Valentina Diadory
10/11/10
14:10 h

Inocência

Inocência


De repente
na ponta dos pés
o dia boceja e nasce viril
Um naco de sol
abarca o colo casto
doura a inocência
e a face viçosa enrubesce


Valentina Diadory
23/01/2011
09:20 h