sexta-feira, 3 de abril de 2015

Ausência tua



Ausência tua

Magoa-me o silêncio
e rasga meus olhos
a maciez do vento
diluindo tua presença

Valentina diadory
03/04/2015
22:20

domingo, 29 de março de 2015

Intensamente




Intensamente

Tenho tanta fome
do cheiro do céu
 e do gosto salgado do mar
Tenho tantos ontens
e tantas antemanhãs ondulando
um  mar aberto sem cais
dentro de mim.
...

Tenho tanta fome de amar.

Valentina Diadory
29/03/2015
18:28 h

sexta-feira, 27 de março de 2015

Sem ti




Sem ti

Ando por ai sem sossego
Pernoito em versos sem rimas
Noites sem  dias
sol sem mar...
Eu sem ar.

...Ando por ai
de fora para dentro
num monólogo de mim

Sem ti.


Valentina Diadory
27/03/2015
6:15 h

quinta-feira, 26 de março de 2015

Fundura




Fundura

O verbo escondido n'alma
rasga-me por dentro
e escorre tanto sal
tanto mar...

Dói-me o canto dos olhos.

Valentina Diadory
26/03/2015
19:30 h

Da saudade





Da saudade

Uma nuvem paira
sobre o olhar veludoso
...Chove em conta gotas
Escurece de dia.

Valentina Diadory
26/03/2015
08:02 h

terça-feira, 24 de março de 2015

Diuturna




Diuturna

Amanheço ...

Em silêncio
Passeio  cores na face
nos olhos
na boca...
Visto-me mulher
Floresço

Apressada  empurro o dia
Sangro
Entardeço
...

De poeta visto-me a noitinha
para amar
sonhar...

Valentina Diadory
24/03/2013
07:40 h

Amanhece



Amanhece


Sua boca lê

...Degusta o poema da manhã
Areja minha pele
Aromatiza
Engole o café


Emudece -me.

Valentina Diadory
23/03/2015
6:57 h

Dispo-me





Dispo-me


Silêncio de um mar só

(Sou)

O nó na garganta suspira
Engulo a última gota
Soluço nua
no  abismo
dentro de mim.

Valentina Diadory
02/08/2014
10:12 h

domingo, 22 de março de 2015

Êxtase





Êxtase

No vão da noite
o verbo se acende
e faz sol de dia...

Sob a macieza morna
da nossa pele
o poema arde
e se  desprende do varal.

Lá fora a neblina
áspera suspira
e nossos gemidos
singram um mar  de desejos.

Valentina Diadory
21/03/2015
23:12 h

quarta-feira, 23 de março de 2011

Amor é poesia

Amor é poesia


Amor é o grito
que chega calado
Frêmito que farfalha
no verde da relva
Fogo que suspira
dentro do peito
Na boca da noite
é sol que pula
as dobras do céu
e escancara as portas
cerradas do dia
Debruça-se na janela
esmiúça a alma
e despeja poesia


Valentina Diadory
23/03/2011
21:30 h

domingo, 20 de março de 2011

Não me esqueças

Não me esqueças


A lágrima rega
o chão dos meus olhos
Faz uma poça d’água
passa o tempo
o sol quente seca
e você não chega
Espera que fertiliza
faz florescer em meu olhar
cachos de miosótis
pequeninos e azuis


Valentina Diadory
20/03/2011
21:20 h

Poesia muda

Poesia muda


Todas as poesias
não ditas a você ontem
antes de ontem
e em outros dias
estão mofando mudas
dentro da minha garganta
Na ponta da língua
um braço do amor deságua
No vão das pedras
emendado às reticências
minha boca sorve
o gosto azul de sangue
suado de tinta fresca
que enverniza as palavras
E a ressaca lambe
os tantos versos escritos
e não bebidos


Valentina Diadory
20/03/2011
11:00 h

sábado, 19 de março de 2011

Árida

Árida


Ainda é cedo
e o dia todo molhado
não esparramou a poeira
da boca seca


...À tarde estia
um árido deserto 
com os muitos rastros
de gemidos e ais
deixados nas esquinas


Antes que o dia acabe
apetece ao sal da carne
rasgar as minúcias
nervuradas da pele
e queimar o ardor do lume


Tempo pouco
que arrasta a sede muita
Não sacia a fome
e o beija-flor só carece
beber da flor


Valentina Diadory
19/03/2011
21:00 h

quinta-feira, 17 de março de 2011

Voyuer

Voyuer 

 Mil olhos enxergam
os versos livres
guardados no âmago
das minhas vísceras

No bolso das horas
passa o tempo
corre o vento
Espelho transparente
voyeur de mim
num casulo
de janela aberta
Céu de dia
onde as palavras livres
ávidas de vida
me pedem um risco
uma linha

Idos tempos
Outros
...Aqueles atrás dos muros
Poesia exilada
num regime de fome
e sem alforria
Qual uma flor 

nascida de pedra 
sem perfume
aos poucos se desfarelando
arranhando a garganta
Como doía...

Valentina Diadory
17/03/2011
21:30 h

quarta-feira, 16 de março de 2011

Cata-vento

Cata-vento


Nas cordas do tempo
tudo é silêncio
faz pouco vento


A fumaça
sobe alguns degraus
Se esvai
sem chegar ao céu


Uma poça d’água
enlameada dorme
sozinha na calçada


No olhar despido
se move
um traço longínquo


...Um cata-vento
e o galo garboso
no telhado 
rasgado de ripas
cochila de dia


Valentina Diadory
16/03/2011
20:50 h

segunda-feira, 14 de março de 2011

Desfolho

Desfolho


Na beira da estrada
o vento empurra
as folhas sem rumo


...Longe dali
da janela entreaberta
os umbrais
opacos do olhar
inexpressivos tremulam


As pálpebras
cerradas se abrem


O bruxuleio
frouxo da lamparina
turva o meio da noite
desdobra as sombras
e ofusca o desfolho
solitário amarelecido
do outono orvalhado
trancado do lado de fora


Valentina Diadory
14/03/2011
20:48 h

domingo, 13 de março de 2011

Canto de saudade

Canto de saudade


Meu amor não é mais
nota que arde nos dedos
Já não respira
no vão quente da alma
É um canto dormido
de saudade


Valentina Diadory
13/03/2011
19:00 h

Versos de amor

Versos de amor


Ergo os olhos
apuro os ouvidos
escuto o tempo
apanho o batom
Meço as palavras
conto as letras
acanhada desenho-as


...Uns cem versos
de amor por amor
suspiram no espelho


Valentina Diadory
13/03/2011
18:50 h

Açoite



Açoite


O sal dos olhos escorre
retém os gemidos
Sem pressa
dobram-se os orgasmos
como um açoite
ao pêndulo do tempo


Valentina Diadory
13/03/2011
18:30 h

Rosa

Rosa


Ela já foi um botão
Uma rosa formosa
que se abriu na sombra
solitária da janela
Cheia de palavras
matizava o céu de anil


Valentina Diadory
13/03/2011
18:25 h

sexta-feira, 11 de março de 2011

Em vão...

Em vão...


Meu amor por você
num fio de voz
saculeja o tempo
balouça ao vento
e tece uma fala
no vazio
do teu silêncio


Tudo em vão...
Você ensurdeceu
Emudeceu
Esqueceu...


Meu amor por você
esmoreceu...
Perece fértil
dentro do últero fecundo
do meu coração


Valentina Diadory
11/03/2011
21:00

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um novo dia

Um novo dia


Nos fundos
do jardim dos sonhos
cessa a chuva
e os entremeios do sol
despertam a macieza
perfumada das flores


As borboletas
inquietas adejam e o pó fino
das asas de mil cores
adornam o vento


A menina acorda
com os cachos amassados
a face corada
e os olhos rasos d’água
Sonolenta boceja a manhã
pisa os poros fartos
e úmidos da terra
Esfrega os olhos embaçados
apanha os sonhos
mau dormidos na corda
dobra e guarda na gaveta


...Atrás da porta
o coração suspira alagado
e a menina cresce
da noite para o dia


Meio sem jeito olha de lado
sorri e colhe as pétalas
do novo dia


Valentina Diadory
10/03/2011
20:45 h

terça-feira, 8 de março de 2011

Um poema de sal e mar

Um poema de sal e mar


Corpos suados
Insaciáveis
entregues ao lume
dos desejos
Lábios ardentes
tecendo beijos de sol
...O gozo
pleno se derrama
junto com as ondas
rendadas de espumas
Na areia fica escrito
um poema de sal
incrustado nos cristais
cerúleos do mar


Valentina Diadory
08/03/2011
21:00 h

segunda-feira, 7 de março de 2011

Voejar

Voejar


Uma aragem quente
ondula o silêncio
da tarde
Com dedos leves
o vento voeja
uma sementeira
prenhe de palavras
Chove
Quando amanhece
os versos nascem
de mãos dadas
com o sol 
Abundantes enchem
o cerúleo dia com poesia


Valentina Diadory
07/03/2011
21:05 h

Inquilino

Inquilino


Tu consertas o pêndulo 
lento do tempo
Fias a gota do dia
Teces o caminho
mais claro da noite
Destelhas o teto
e a flor do meu corpo 
habita-me
...Como quem não tem
para onde ir


Valentina Diadory
07/03/2011
20:49 h

domingo, 6 de março de 2011

Mosto

Mosto

A saliva arde
apura a seiva
O céu da boca
em brasa
ofega o mosto
bebe do beijo

Valentina Diadory
06/03/2011
21:20 h

sábado, 5 de março de 2011

Pudica

Pudica


Olhar casto
Um candeeiro de candura
aceso na tez de veludo


Seios redondos
Duas pétalas intumescidas
auréolas rosadas
sombreiam a alvura
do entremeio de renda
na pele dourada de trigo


Pernas cruzadas
Joelhos macios
Carícias
desprendem segredos
...Um mar de estio
Um botão do sol
ardendo em solfejos


Valentina Diadory
05/03/2011
21:05 h

Ode ao silêncio

Ode ao silêncio


Ouço tuas mãos
compondo na fímbria
do silêncio
Ouço-as
fiando a macieza
com que tu
debruas meu corpo
eriça pêlos
desprende poros


Valentina Diadory
05/03/2011
20:24 h

quinta-feira, 3 de março de 2011

Mulher

Mulher


Na curva do sorriso
um céu matizado
de volúpias
No olhar afoito
um mar aberto
enfebrecido de segredos


Valentina Diadory
03/03/2011
21:50 h

quarta-feira, 2 de março de 2011

Outonece

Outonece


As folhas uma a uma
caem pelo chão
Desbotadas se movem
com o vento
Uma lasca
fria de silêncio sorve
os gomos do dia


Valentina Diadory
02/03/2011
21:40 h

terça-feira, 1 de março de 2011

Bordadeira

Bordadeira


...Passa horas
no quarto de costura
bulindo no cesto de letras...
Em silêncio
alinhava sílabas
costura versos
borda palavras


Valentina Diadory
01/03/2011
21:20 h

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Contra o tempo

Contra o tempo


Inquieta corro os olhos
pelas paredes
Afobada gasto passos
derramo a água do pote
tropeço
levanto...


Colho flores
guardo no embornal
amarro
Colo cacos
faço um mosaico
Cato os espinhos
jogo fora...


Sobrevivo
sempre de olho
no relógio
roendo a casca
grossa do tempo


...Tenho vontade
de avançar as horas
Pressa de saber
como será o amanhã
Pressa de viver
pressa de ser mais feliz...


E o amanhã demora...
Parece que nunca vai chegar...


Valentina Diadory
27/02/2011
13:50 h

Insaciável

Insaciável


Dedos andejos
nas sombras
da noite pouca
sobe e desce degraus
Dedilha versos
saliva
fia a fome
tece
debrua sóis
ateia fogo
gozo


Valentina Diadory
26/02/2011
10:10 h

Tanto

Tanto


...Na esquina dos olhos
tanto cisco
Tanto mar
rouco de pranto


Valentina Diadory
25/02/2011
18:20 h

Eterno amor

Eterno amor


Tu me dizes
Na sua vida serei
eterno como o mar
o sol o luar as estrelas o céu...
O mundo todo lá fora
Serei seu eterno amor
...
Miro seus olhos e digo
Na sua vida serei
os minutos poucos
e as horas fartas
Do anoitecer ao romper do dia
serei poesia


Rafael Augusto – Valentina Diadory
25/02/2011
14:30 h

Solfejos

Solfejos


Lume arde
Queima a seda
a pele
...E o tato
onde se cala
ofega solfejos


Valentina Diadory
20/02/2011
09:10 h

Jejum

Jejum


Ainda levo um dia
nessa sequidão
Jejuando no silêncio
escutando meu avesso
urdindo o tecido
espesso das palavras


Valentina Diadory
19/02/2011
15:35 h

Uma história de poesia

Uma história de poesia


O menino me contou
que quando anoitece
o vento sopra devagar
empurra as nuvens
alvas do céu
e a réstia loura de sol
que estava escondida
se espicha e de longe
aparece um pouquinho
As ondas crespas do mar
se acalmam e levam
o barco para a praia
Lambem a areia e o pescador
vai para casa descansar
Até parece ser de dia


...O sono chega
o menino boceja
esfrega os olhinhos miúdos
e se debruça
dentro da poesia...


Valentina Diadory
18/02/2011
19:20 h

Fazer amor

Fazer amor


Explodir fragrâncias
Na porosidade da pele
exalar aromas...
O amor verdadeiro
impregnando o ar
com a seiva extraída
da essência da alma


Rafael Augusto – Valentina Diadory
18/02/2011
20:15

Pelo avesso

Pelo avesso


Esperou tanto
Lá pelas tantas
já pelo avesso
teve um dedo de prosa
com o silêncio
Mirou-se no espelho
do pó de arroz
Engoliu os soluços
passou batom
ajeitou os cabelos
bateu a poeira
do vestido
sacudiu o olhar
e saiu pisando
nas pedras soltas
que ainda ruíam
por dentro


Valentina Diadory
17/02/2011
21:25 h

Careço

Careço


Descalça
desço as escadas
de mim...
Tudo tão escuro
Às cegas tateio o chão
forrado de páginas
amassadas
Careço do verbo
Careço de palavras pingando
na ponta do lápis
para bordar na alvura
do linho fiado


Valentina Diadory
16/02/2011
21:40 h

Sombra

Sombra


Abro a porta do dia
Rego o vaso
de amor-perfeito
sobre a mesa
Sento-me na cadeira
cansada do alpendre
e leio-te


Escuta minhas mãos
fitando as páginas
e folheando o avesso
das linhas


Sou sol
Sombra do seu tempo
Do instante derradeiro
ao minuto seguinte
sei teus passos de cor


Valentina Diadory
15/02/2011
21:52

Seiva

Seiva


A cama arde
Descoso-me dos pudores
Recebo-te
Tu te hospedas em mim


...Céu
Sol
Sal
Mar


...A seiva se derrama
irriga


...Cirzo teu corpo no meu
Extasio-me


Valentina Diadory
14/02/2011
23:00

Quem sou?

Quem sou?


Sou o silêncio do lume
se espraiando
na ausência da linguagem


O toque das acácias
perfumando a vadiagem
dos dias


O sono
A noite de sonho turvado
e o sal do mar
que unta o corpo
Os anos que passam
e a criança que pede colo


A voz
O grito das palavras
que dobra e rasga
a mudez da sua interrogativa


Valentina Diadory
14/02/2011
22:50 h

Riscos

Riscos


Na parede caiada
o pêndulo renitente
tomba os minutos
e passa as horas
De soslaio
a palavra míngua
na porosidade das mãos
Da lonjura
o verso carece
das linhas deitadas
que risca
o olhar do poeta


Valentina Diadory
13/02/2011
21:10 h

Verão

Verão


Apalpo o crepitar
das folhas
secas de outono
e côo réstias de sol
na palheta


Colo na fundura do céu


Dura a vida toda
como se fosse
um dia de verão


Valentina Diadory
14/04/10
16:32 h

(A)mar

(A)mar


Ouço a essência
do mar
a marulhar
poemas na areia
...Um respiro
das palavras
arqueja no corpo
... (A)mar


Valentina Diadory
12/02/2011
21:20 h

Girassóis do poeta

Girassóis do poeta


Há um fio
rouco de voz
no pranto que corre
pela sua face
Suas mãos tecem
as palavras
e um campo
de sóis
brilha diáfano
em seu olhar


Valentina Diadory
12/02/2011
20:20 h

Tempo

Tempo


Toco o fio das palavras
Conto os dias nos dedos
Teço em versos
os minutos e as horas


...Arremato nosso amor
no poema
Guardo dentro da alma
e aperto os olhos
para que nada de nós
se extravie


Valentina Diadory
11/02/2011
21:25 h