domingo, 20 de fevereiro de 2011

Amanhã

Amanhã


De mãos vazias
atravessei o labirinto
silencioso do ontem
E hoje
o Mal-me-quer
Bem-me-quer
diluiu-se vagarosamente
em meus dedos
Impaciente espero
o tempo passar
ás margens pálidas
do amanhã
Recolho-me


...Não vou mais esperar
você pintar um pôr de sol
dentro do meu olhar...


Valentina Diadory
21/01/10
18:15 h

Cerejas

Cerejas

Uma taça cheia...
Amálgama suculenta
vermelha e nua
Banhadas em marasquino
o aroma frutado
enche os olhos
matura a sede
À meia luz
Cerejas moldam
a janela do decote
o calor da pele
e cobrem o caminho
aberto para os seios
Desenham a boca
e a polpa macia
bole com a libido...
Nos entremeios
beijos sôfregos
um frêmito
e o calafrio na espinha
espargi o gozo...

Valentina Diadory
01/02/2011
22:45 h

Míope

Míope


As pálpebras
pesam enviesadas
E há um talho míope
sobre o mar aberto
do olhar
Verte uma dor
que escreve um vinco
na face veludosa
sem machucar
Cerra os olhos
apalpa o poema
tenta secar
as palavras esconsas
deitadas sobre o rasgo
inerte de solidão
aberto numa página
escondida da alma


Valentina Diadory
31/01/2011
21:30 h

Fecundação

Fecundação


Poeta atravessa
o silêncio largo do crepúsculo
e morosamente trabalha
a essência da alma
Planta o feto
Embebe-se no húmus farto
da criação
Rega ...
E a seiva espessa
alimenta a raiz do verbo
Em tempo fecundo
amadurece o verso
corta o cordão umbilical
Nas linhas férteis do canteiro
um grito feliz de liberdade
ecoa e pari a poesia


Rafael Augusto – Valentina Diadory
28/01/2011
15:30 h

Tecelã

Tecelã


De véspera
desfaço as dobras
e os fios emaranhadas
nas linhas do destino
Não durmo a vida
Nos rodapés das noites
desato os nós
cozo os nacos gastos
tricoto o cansaço
Pela manhã
colho na face uma réstia de sol
Apanho um verso
no vaso raso de amor-perfeito
e vivo mais um dia


Valentina Diadory
26/05/10
7:18 h

Prefácio

Prefácio


Um nome
Um eco
Um borrão
deixado no deserto
Quiça uma página virada
na fimbria do vento
Um rio miúdo e sem vírgulas
Um verso
Uma exclamação
do outro lado do sol
Quiça uma estrela
um luar pendurado
nas reticências do céu
Uma interrogação
numa linha inventada
Um ponto final
ancorado no mar
Quiça um poema ...


Valentina Diadory
15/08/10
6:45 h

Solfejos

Solfejos


Lume arde
Queima a seda
a pele
...E o tato
onde se cala
ofega solfejos


Valentina Diadory
20/02/2011
09:10 h

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Alva

Alva


No avesso da janela
a brancura
alvíssima da neve
cobre o cume
verde da montanha
Polvilha as ruas e orvalha
a silenciosa manhã
já prenhe de poesia


Valentina Diadory
28/01/2011
9:35 h

Amargo

Amargo


Um limo inundou
a vela do lume
Um breu se acendeu...
Um travo amarga a língua
Uma letargia...
E o lápis roto
inerte
largado no assoalho


Valentina Diadory
14/05/10
7:40 h

Poeta

Poeta


Poeta tem
um retalho de mar
cerzido nos olhos
e um sol poente
ardendo no peito
Dia e noite
saliva palavras sob a língua...
Queima
deságua...


Valentina Diadory
26/01/2011
22:00 h

Paz

Paz


Não sou daqui
venho de longe
Trago no côncavo das mãos
meu mundo caiado
e o esvoaçar
colorido das borboletas


Valentina Diadory
26/01/11
10:11 h

Sede

Sede


Dá-me um gole d’água
para molhar a palavra
que me bebe por dentro
Espreme uma gota
e inunda o verbo enroscado
na minha garganta
Que arde de sede
e me arranha
Afoga
minha língua enfebrecida
e deixa minha boca
cheia de versos


Valentina Diadory
24/01/2011
21:00 h

Sem atalho

Sem atalho


Entre aspas vocifero
Engasgo nas reticências
Resvalo na grafia das letras
Calo
Nada ouço
Do fim ao começo
enxergo a dor sem atalho
doendo por dentro
Atravesso a página insone
e as borboletas
alheias a tudo dançam ao vento


Valentina Diadory
10/11/10
14:10 h

Inocência

Inocência


De repente
na ponta dos pés
o dia boceja e nasce viril
Um naco de sol
abarca o colo casto
doura a inocência
e a face viçosa enrubesce


Valentina Diadory
23/01/2011
09:20 h

Sonhos

Sonhos


Era uma vez
sonhos aos molhos
e de olhos abertos
guardados todas as noites
na gaveta emperrada
do criado-mudo
No bocejar do dia
o sol enfeita a janela
dos sonhos empoeirados
trancados no quarto


Valentina Diadory
15/01/11
07:18 h

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Torvelinho

Torvelinho


Esmorece a tarde
Um resto de sol
uma fagulha fina e fria
no céu se desvanece
E as folhas
secas de poesia
se arrastam esmaecidas
pela rua
No coração do poeta
um torvelinho escondido
soletra rumores
de passos alheios
rondando o vagar
de seus devaneios


Valentina Diadory
10/11/10
17:28 h

Leitura

Leitura


Na falha funda
da nervura da folha
o sereno noturno
pendura uma rima
tece um verso
O sol amanhece
a folha frágil oscila
derruba palavras
e derrete o verbo
pelo caminho
Finda mais um poema
aos olhos de quem lê


Valentina Diadory
21/01/2011
21:30 h

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amor

Amor


Há dias em que o silêncio
de todas as horas
aflora na língua um sol
À flor da pele dilata poros
brota o sal e transpira o lume


Valentina Diadory
18/05/10
07:28 h

Prelúdio do Instante



Prelúdio do instante


Ela tem o olhar sentado
num canto da sala
Escondido dentro
da morosidade eterna
da cera que derrete
o prelúdio farto do instante
Tem o coração exilado
pernoitando no limbo
viscoso da espera
E o amor não chega
o amanhã demora


Valentina Diadory
19/01/2011
20:10 h

Artesão

Artesão


Seu amor
caminhou na distancia
venceu as léguas do tempo
Nas dobras
do véu da noite pernoitou
Abriu a janela da manhã
acendeu a candeia do sol
e no meu silêncio cantou
Como um artesão
virou as páginas da minh'alma
e talhou versos ...
Em folhas de ferro escreveu
Esculpiu-te em meu viver


Valentina Diadory
04/01/2011
21:25 h

Ardo-me

Ardo-me


Na ausência tua
à sombra do tato
ardo-me
Ébrio de urgências
tu me chegas silencioso
atravessa as margens
das páginas encabuladas
e já lidas
Folheia-me
Despe o pecado
guarda o teu corpo
dentro do meu e fala


Valentina Diadory
10/01/11
23:15 h

O teu lugar

O teu lugar

Trago-te nas dobras
das pálpebras
No avesso da retina
No mais profundo
da minh'alma
Dentro da fôrma
que moldo a poesia

Valentina Diadory
11/01/2011
17:00 h

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Adeus

Adeus


Ninguém leu
o sorriso se apagando
e o rumor da palavra
ferindo o coração
Ninguém viu os espinhos
ceifando a face
o amargor do fel
e o grito engolido
fundindo-se com a dor


Valentina Diadory
15/08/10
19:30 h

Um filme antigo

Um filme antigo


Os olhos se fecham
a face enfebrece
e o camafeu sacoleja
na generosidade talhada
do decote
Os lábios coram e a boca
virgem da donzela
delira com a volúpia
do primeiro beijo


Valentina Diadory
14/07/10
13:20 h

Solidão

Solidão


Tarde áspera num dia
de sol emprestado


...Olhar côncavo
fita o jardim vazio
Enigmático tece
um mergulho
no silêncio perene
Açoita segredos
e o chapéu sombreia
as janelas vizinhas
Nada faz sentido


Valentina Diadory
08/01/11
18:30 h

Intimidade

Intimidade


Gemidos roucos
entrelaçar de pernas
amassando lençóis
Cabelos presos
em desalinho
Decote ousado
no colo descoberto
o hálito chega quente
e um beijo
na esquina do pescoço...
É o começo de tudo.


Valentina Diadory
14/09/10
22:05 h

Nada sei...

Nada sei...


Do amor nada sei...
Sou ainda uma aprendiz
deslumbrada com esse céu
de outras nuvens
de outros sonhos...
Sei dos raios e trovões
da tempestade
que está acontecendo
aqui dentro
Sei do meu mundo
desabando
e tenho medo
do que possa acontecer
amanhã...


Valentina Diadory
04/11/10
12:20 h

Despetalando...

Despetalando...


Hoje estou flor
colhida antes da hora
Esquecida com os pés
fora d'água
Sem sol
Sem ar
Sem viço
Despetalando ...


Valentina Diadory
05/01/11
15:30

Invernal

Invernal


Um ramo
vistoso de estrelícias
se debruça na cerca
Boceja e colhe
uma réstia de luz
esquecida pelo sol
no portão


Valentina Diadory
28/06/10
17:50 h

Tátil

Tátil

À meia luz
suas mãos não tardam
Chegam devastadoras
rasgam o silêncio
apalpam a fimbria
dos desejos
Em brasa
desabotoam recatos
queimam vãos...

Valentina Diadory
14/6/10
23:15

Inquietude

Inquietude


Só agora me dei conta...
Lá no fundo
careço do silêncio
para ouvir
a canção da poesia


Valentina Diadory
22/04/10
23:30 h

Sobras

Sobras


Traz nos olhos
sobras de um vitral
Cacos de sonhos
estilhaços da vida
misturados a um facho
amarelo de sol
Na boca sem fala
a fome e os restos
d’um beijo salgado do mar
Uma lágrima cai
borra a face
varre o silêncio
e se atola no cais
As mãos enrugadas
esfarelam e sacodem
um punhado cheio
de flocos de lembranças
E ninguém lhe diz
para onde esse vento vai


Valentina Diadory
28/03/10
13:30 h

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Perambulando

Perambulando


Fogo morno enrubesce
a face apaga
o sorriso que cantava
no canto dos lábios...
Olhar de busca
de promessa
e de tanta espera
fugidio se arrasta...
De lá para cá
cata nos silêncios
os restos da inocência
do dia...
Olhar cansado perambula
já não sabe mais
por onde anda o amor
que tanto precisa...


Valentina Diadory
23/08/10
12:26 h

Por toda a vida

Por toda a vida


Por mais distantes
que possamos estar
um do outro
Por mais que doa
a saudade
Ainda assim podemos dizer
Somos inseparavéis
e nos amaremos
sob o mesmo céu
por toda a vida


Valentina Diadory
18/09/10
21:15 h

Arrumação

Arrumação

Meu coração
tirou o dia
para se arrumar
se enfeitar...
Está amando
florindo por dentro.

Valentina Diadory
15/06/10
18:10 h

Beleza

Beleza


É tão bonito nós dois
de mãos dadas
com a vida
Nos amando
nos bastando ...


Valentina Diadory
15/10/10
08:25 h

Sem fim...

Sem fim...


Na folha amassada
versos inacabados
de uma história de amor
Lá no fundo uma dor
sem tom
sem cor
doendo sem fim...


Valentina Diadory
14/03/10
18:35 h